domingo, 19 de novembro de 2017

Telhas, Património Industrial de Campelos, e Outeiro da Cabeça, Torres Vedras

As telhas Marselhas, recebem este nome devido à cidade francesa do mesmo nome.
Serão originárias desta cidade do sul de França as primeiras telhas deste modelo, que a partir de meados do século XIX chegaram também a Portugal, como a muitas outras partes do mundo.
Esta telha foi uma das que veio no Sec. XIX para Lisboa


Conhecido o processo de fabrico e os fornos industriais para o devido "cozimento" também em Portugal se começou a produzir, mantendo o nome de telha Marselha, em Campelos existiu uma fábrica da qual conhecemos os seguintes modelos;






Se conhecerem mais modelos digam.

Mas como hoje estamos em União de Freguesias com Outeiro da Cabeça, eis as que conhecemos, como mais antigas, pois hoje continua a haver produção:























Se conhecerem mais modelos informem.

Temos ainda uns modelos da Cerâmica da Carrasqueira, e outras do concelho de Torres Vedras, que podem ficar para outra mensagem.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Resultados eleitorais autárquicos, União das Freguesias de Campelos e Outeiro da Cabeça, concelho Torres Vedras

Listas       Votos         %      eleitos
PS
913 53,02 6
PSD/CDS 533 30,95 3
MSD 119 6,91

PCP-PEV 78 4,53
Inscritos 3.116
votantes 1.722
votantes 55,26
Fonte:  https://www.autarquicas2017.mai.gov.pt/#

Resultados eleitorais autárquicos União das Freguesias de Campelo e Ovil, concelho de Baião

União das Freguesias de Campelo e Ovil, Baião. Assembleia de Freguesia

Listas      Votos         %      eleitos
PS
1462 69,29 7
PSD/CDS 541 25,64 2
PCP-PEV 35 1,66  
       
Inscritos 3.373    
votantes 2.110    
votantes   62,56  
Fonte:  https://www.autarquicas2017.mai.gov.pt/#

Resultados eleitorais, autárquicos Freguesia de Campelo, de Figueiró dos Vinhos, 2017

Freguesia de Campelo, Figueiró dos Vinhos, Assembleia de Freguesia


Listas       Votos             %      eleitos
PSD/CDS 94 63,51 5
PS 48 32,43 2
PCP-PEV 0 0  
       
Inscritos 207    
votantes 148    
votantes   71,5  
Fonte https://www.autarquicas2017.mai.gov.pt/#

domingo, 1 de outubro de 2017

Eleições Autárquicas 2017

Hoje dia 1 de Outubro há mais umas eleições autárquicas, as segundas após as agregações de freguesias, em 2013.
No caso das 3 freguesias de Portugal denominadas Campelo, ou Campelos, só Campelo de Figueiró dos Vinhos se manteve igual, as outras duas foram agregadas do seguinte modo:
No concelho de Baião: União das Freguesias de Campelo e Ovil.
No concelho de Torres Vedras: União das Freguesias de Campelos e Outeiro da Cabeça.
Abordando mais concretamente esta última União de Freguesias:
Para Campelos será a 19ª vez que há eleições para a Junta de freguesia, desde 1945, ano da sua criação.
Para Outeiro da Cabeça será a 9ª vez que há eleições para a Junta de Freguesia, desde 1985, a freguesia foi criada a 31/12/1984, ficando uma comissão instaladora até às eleições de Dezembro de 1985.
São pois duas freguesias relativamente recentes se comparadas com as que as rodeiam, ou com a generalidade do País. Em ambas, há pessoas que se recordam da grande alegria e das grandes expectativas que as populações depositaram nesta autonomia, pelo que as festejaram efusivamente. É certo que hoje as condições são outras, há muito mais facilidade de deslocação, de contactos, há muita actividade que hoje fazemos sem sequer sair de casa, graças à acessibilidade à net, mas julgo que genericamente concordamos com a existência das freguesias.
Durante anos foi necessário a luta e empenhamento das pessoas das nossas localidades para conseguirem a criação das freguesias. Hoje, como já existem, são menos valorizadas do que inicialmente, esta é também uma das razões para o nível de abstenção nas eleições autárquicas ser elevado.

Não desvalorizemos a autonomia alcançada, com a criação das nossas freguesias, vamos participar nas eleições votando, é um direito adquirido, e é um dever que temos para os que lutaram pelas freguesias, e também para com a democracia.

sábado, 19 de agosto de 2017

II – Continuação da publicação de alguns apelidos da Freguesia de Campelos, Torres Vedras, suas origens (Augusto, Ramos, Paulo, Caetano, Marquês)

Tendo verificado que este tema é o mais procurado nas visitas ao blog, devido à dimensão do espaço disponível não é possível acrescentar mais nomes sob o mesmo titulo criamos um novo para continuar, onde inserimos os que já tinham sido publicados avulso.

 Com base nos dados da recolha geneológica por mim efectuada, que vai já com mais de 22.000 nomes inseridos, recolhidos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, assim como noutros locais, e uma parte já via online, pois os registos paroquiais de Torres Vedras e Lourinhã já estão disponiveis, e felizmente outros vão surgindo.
Grande parte do levantamento é da Igreja de S. Lourenço dos Francos, que pela sua proximidade, era onde a maioria dos nossos antepassados realizavam os seus actos religiosos.
Os números que estão entre parentessis são da base de dados, têm a ver com a ordem de entrada e servem aqui para minha orientação.
Os limites temporais são desde os registos existentes, de finais do século XVI (poucos), a 1945, data da criação da freguesia de Campelos.
Irei colocando apelidos, primeiro os que me merecem menos dúvidas, e, dependendo do tempo disponível, este é o 2º grupo de apelidos.

32 - Augusto:
Na freguesia de Campelos o Apelido Augusto que é largamente predominante é originário de Augusto Faustino, nascido em Campelos, em 29/5/1867, filho de Manuel Faustino e de Maria Isabel.
Augusto Faustino casou na Igreja de Santa Maria do Castelo, de Torres Vedras, em 10/11/1900, com Maria da Nazaré, viúva de Amaro Rodrigues, que era exposto da Roda de Lisboa, falecido em Campelos, em 1893. A Maria da Nazaré nasceu na Quinta do Perdigão em 22/3/1862, filha de João da Silva Carruço, e de Gertrudes Rita.

No casamento o casal Augusto Faustino e Maria da Nazaré, legitimaram os seus filhos José nascido em 1895 (falecido com 1 ano) e a Leopoldina de Jesus nascida em 1899, foram pais de mais 3 filhos: José Augusto, Maria de Jesus, e Joaquim Augusto. Foram avós de 23 netos, todos nascidos em Campelos e Casais do Rijo.

33 - Ramos:
Os apelidos Ramos, na freguesia de Campelos, Torres Vedras, excepto casos pontuais, têm genericamente origem em Papagovas e Cabeça Gorda, sendo a larga maioria desta última localidade, e é sobre estes que primeiro vamos escrever.
Quando no dia 18 de Abril de 1886 nasceu na Cabeça Gorda o 3º filho do Casal António Joaquim, e Maria da Piedade, e que foi baptizado na Igreja de S. Lourenço dos Francos no dia 5 de Maio, com o nome de Manuel, decerto não esperariam os seus pais que ele e seus descendentes usariam o apelido “Ramos”
Desconhecemos quando se terá oficializado o uso deste apelido. A quando do casamento, realizado na Igreja de Santa Maria do Castelo, em Torres Vedras, no dia 28/4/1909, entre o referido Manuel Joaquim, então com 23 anos, e Maria da Piedade, com 22 anos, natural de Casais do Rijo, filha de António Martins e de Joaquina da Conceição, ainda não há uso do apelido Ramos, sendo provável que o noivo já fosse conhecido por Manuel Joaquim “Ramos”.
Provavelmente foram só os filhos desta família que começaram a usar formalmente o apelido “Ramos”.
Este apelido deverá dever-se ao facto do dia de nascimento do Manuel Joaquim, o dia 18 de Abril de 1886 ser o Domingo de Ramos daquele ano, conforme se pode verificar nos calendários hoje facilmente disponíveis na net.
O Manuel Joaquim “Ramos” e a Maria da Piedade foram pais de pelo menos oito filhos:

Luísa da Piedade, Joaquina, António Joaquim Ramos, Palmira da Conceição, Celeste da Piedade Ramos, Maria da Anunciação, Florentina da Piedade Ramos, e João Ramos.  

Sobre o apelido “Ramos” oriundo de Papagovas, ele surge-nos após o casamento realizado na Igreja de S. Lourenço dos Francos, em 10/6/01877 entre  Joaquim Ramos, de 24 anos, natural do Sobral, Lourinhã, filho de António Ramos e de Josefa da Conceição, com Maria José, de 22 anos, natural da Moita dos Ferreiros, moradora nas Papagovas, filha de Manuel Luís e de Jesuína da Conceição.
Desta Família nasceram em Papagovas 12 filhos:

Francisco Ramos, Joaquim Ramos Junior, António, Maria da Conceição, José, Ricardo, Luiz Ramos, Jesuína, Daniel, José, Augusto Ramos, Adriano Ramos.

34 - Paulo;
O apelido Paulo, na freguesia de Campelos, Torres Vedras, frequente sobretudo na Cabeça Gorda, mas com um ramo também no Casalinho das Oliveiras, tem a sua origem possivelmente na mesma pessoa o Paulo Vieira (481), nascido em 1764, nos referido Casalinho, donde a mãe era natural, e o pai dali próximo, do Casal das Quintas.
O Paulo Vieira (481) nascido no Casalinho da Oliveiras, S. Maria, Torres Vedras, casou em 1788 com Helena Maria (482), dez anos mais velha, natural da Marteleira, deste casamento nasceram pelo menos 3 filhos, a Maria Isabel (479), a Domingas Maria (1091) e o Manuel Paulo (1092), que constituíram família e viveram por aqui perto.
1 - A Maria Isabel (479) nascida em 1789, casou  em 1810 com Manuel Joaquim (478), viveram em Casais do Rijo, foram pais de pelo menos 12 filhos, dos quais destaco, (por ter interesse para a continuação deste apelido Paulo) o José Joaquim (Marquez), e o Paulo Joaquim (1263).
O José Joaquim (Marquez) nasceu em 1830, casou em 1858 com Carlota do Nascimento, natural do Casal da Charneca, S. Maria, Torres Vedras, e com Maria Roza (5977) em 1900. do 1º casamento nasceram 10 filhos,em Casais do Rijo, Campelos e Cabeça Gorda, um deles o Paulo Joaquim (2777), em 1869. Este Paulo casou em 1894 com Josefa Maria (2434), da Amieira Grande, viveram na Cabeça Gorda, onde nasceram pelo menos 7 filhos, três dos quais com o apelido “Paulo”, o António Paulo (3520), o José Paulo Joaquim (3361), e o João Paulo (3358), dos quais há vários descendentes com este apelido.
O Paulo Joaquim (1263), nascido em 1834, irmão do anterior, tio do outro Paulo Joaquim (3361), casou em 1874, com Joaquina da Conceição (3305), natural dos Casais das Campainhas, foram pais de dois filhos (ele faleceu em 1885), um deles o Manuel Paulo (3306), nascido em 1875 nos Casais do Rijo, casou com Delfina da Conceição (5095), natural da Cabeça Gorda, onde viveram, foram pais de pelo menos 5 filhos, o Joaquim Manuel Paulo, António Paulo (Cruz), Manuel Paulo (6859), José Paulo, e Maria Delfina, dos quais há vários descendentes com o apelido Paulo.
2 - o Manuel Paulo (1092) nasceu em 1797, casou em 1839 com Eufrazia da Conceição (1773), natural do Casal Junceira, da Moita dos Ferreiros, viveram no Casalinho das Oliveiras e foram pais de pelo menos 8 filhos, dos quais pelo menos o José Paulo (1777) e o Francisco Paulo (1778), deixando descendência com este apelido.
Assim podemos concluir que ambos os ramos com apelido Paulo terão a sua origem na mesma pessoa o Paulo Vieira (481) este apelido vieira vem do lado feminino, e do Ramalhal.

Fica para uma próximo a descrição mais em pormenor, mas o apelido Marquez, ou Marquês, um deles acima referido, deve derivar de uma “alcunha”, pois são todos filho do referido Manuel Joaquim (478), são todos primos destes com o apelido Paulo.

35 - Caetano

Na área da freguesia de Campelos, Torres Vedras, até 1945 eram três as origens dos apelidos Caetano.
De um desses ramos desconhecemos a origem, mas em 1949 foi baptizado, já nesta freguesia uma criança com o apelido Caetano, filha de Francisco Caetano, mas não registámos origem dos pais, nem temos mais informação.
Os outros dois ramos com apelido Caetano:
Um são os descendentes de Caetano Ferreira (1068), natural e residente em vale de Lobos, nasceu em 1793, casou duas vezes, foi pai de pelo menos 12 filhos, sabemos de um deles, o José Caetano (12429) que ficou com o apelido Caetano, mas é do filho Joaquim Ferreira (1037), nascido em 1824, e que veio a casar com Maria da Conceição (1059), natural de Casais do Rijo, onde a família se fixou, e mais tarde em Campelos, são pais de pelo menos cinco filhos, dois deles com o apelido Caetano, o João Caetano (2105), nasceu em Campelos em 1855, casou e viveu em Miragaia, e o António Ferreira Caetano (1070), nascido em Casais do Rijo, em 1847, casou com Maria da Conceição, natural do Vimeiro, fixaram residência na Cabeça Gorda, e foram pais de pelo menos 10 filhos, em que alguns ficaram com o apelido Caetano Ferreira, parecendo-nos que hoje ninguém mantém este apelido.

Assim das famílias mais antigas da freguesia, segundo o nosso conhecimento,  só uma delas continua a manter o apelido Caetano, são os descendentes de Caetano Francisco (21910), pai de António Caetano (4799) nascido em Lapaduços, Vila Verde dos Francos, Alenquer, e avô de Sebastião Caetano (2073), nascido naquela freguesia, casou com Isabel de Jesus (1408), natural de Campelos, onde passaram a viver e foram pais de pelo menos três filhos, um deles o José Caetano (2077) nascido em 1907, casou em Campelos em 1931, e teve pelo menos dois filhos, sobreviveu o António Caetano (5159), cuja descendência mantém vivo o apelido Caetano. 


36 – Marquês
O apelido Marquês, ou Marquez surge na freguesia de Campelos, na localidade de Cabeça Gorda, em dois filhos de Manuel Joaquim (478), irmãos do Paulo Joaquim (1263) já referido no apelido “Paulo”.
O Manuel Joaquim (478) nasceu em 1783 na Amieira do Caldeia, junto à Quinta Bogalheira, Casou em 1810 com Maria Isabel (479), nascida em 1789, no Casalinho (das Oliveiras), os primeiros filhos do casal nasceram na mesma Amieira, e os restantes em Casais do Rijo.
Este Manuel Joaquim já devia ser conhecido por Manuel Joaquim Marquês, e a razão principal deverá ter a ver com o seu local de nascimento, a Amieira do Caldeira, que por pertencer ao Marquês do Alegrete, também era conhecida por Amieira do Marquês, exemplos:
a  a) - Óbito de José, em 27 Julho de 1738, morador na “Quinta da Caldeira do Marquês do Alegrete” (livro óbitos 1 de S. Maria, Torres Vedras, p. 138v)
    b) -  Nos casamentos de Manuel Joaquim (1060) filho do outro Manuel Joaquim (478), em 12/9/1842, e 21/11/1847,  ele está como nascido no Casal do Marquez, S. Maria, Torres Vedras (livro misto 4 de Miragaia, Lourinhã)
Os filhos do Manuel Joaquim (478) e da Maria Isabel (479) que adoptaram o apelido Marquês foram:
a   a) - Joaquim António Marquês (480), nascido em Julho de 1820, nos Casais dio Rijo, casou 3 vezes, uma das quais com Maria Antónia de Reinaldes, Atouguia da Baleia, Peniche, e tiveram 6 filhos em Casais do Rijo e Casal Novo dos Pinheirinhos (Campelos), e segundo o que sabemos nenhum continuou com o apelido Marquês.
    b) - José Joaquim Marquês (490), nascido em Casais do Rijo, em Setembro de 1830, casou pela 1ª vez em 17/11/1858, em Santa Maria, com Carlota do Nascimento, tem 10 filhos, nascidos em Campelos, Cabeça Gorda, e Casal do Areeiro, destes filhos dois mantém o apelido Marquês:
- António Joaquim Marquês (2115), nascido em Campelos, em Junho de 1863, casou em Junho de 1885, em S. Lourenço dos Francos, com Romana da Conceição, Exposta da Roda de Lisboa, tiveram 6 filhos na Cabeça Gorda, dos quais só o Joaquim Marquês (3993), nascido em 1887, casou em 1914 com Maria da Conceição (6006), natural de Cabeça Gorda, tiveram 10 filhos, entre 1915 e e 1933, alguns seguiram o apelido Marquês e um adoptou a “alcunha” Feijão. Como a nossa pesquisa foi só até 1945, não temos muito mais informação.
- Joaquim Marquês (3527), nascido em Junho de 1875, na Cabeça Gorda, faleceu com 23 anos, no Casal do Areeiro.
- a filha do António Joaquim (2115), Amélia da Conceição, nascida na Cabeça Gorda em 1892, casou com José Neto, e pelo menos um dos filhos ficou com o apelido Marquês, nascido no mesmo lugar em 1933, o Francisco.
- outro filho do José Joaquim (2115), o Ângelo Joaquim (1208) nascido em 1860 na Cabeça Gorda, casou em 1885,e em 1898 em S. Lourenço dos Francos com Gertrudes da Piedade, e com Joaquina da Piedade, foi pai de 15 filhos, nenhum adoptou o apelido Marquês, mas alguns dos seus netos voltaram a usar esse apelido, conhecemos os casos de:
         - Gonçalo e Maria, filhos da sua filha Felicidade.
         - Helena e Conceição, do seu filho Estevão.
         - José, Ramiro, Duarte, Álvaro, e Maria da sua filha Beatriz.
         - Augusto, Ângelo, e Joaquim, da sua filha Marcelina.
- o mesmo aconteceu com outro filho, o Francisco Joaquim (3576), nascido em 1877, casou com Gertrudes Delfina, tiveram 10 filhos, mas só netos ficam com o referido apelido, conhecemos o caso da Maria Águeda, filha de Adelaide da Conceição.

É quase certo que haverá mais casos, sobretudo para nascidos depois de 1945, data limite das nossas pesquisas. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Quinta do Perdigão, Lourinhã

A Quinta do Perdigão, situada na paróquia de Miragaia, do concelho da Lourinhã, onde se localiza hoje um matadouro de aves e uma fábrica de rações, propriedade de família Feijão da Cabeça Gorda, paróquia de Campelos, Torres Vedras, nem sempre teve este nome.
Verificamos isso pelos registos paroquiais de S. Lourenço dos Francos, nomeadamente ao vermos os registos de baptismo dos 6 filhos de Lourenço José Dias Perdigão, nascidos entre 1780 e 1792, cinco nascidos no Casal dos Padres e um no Casal do Perdigão.
Já o mesmo Lourenço Dias Perdigão está como nascido em 1756 no Casal do Perdigam, e tem uma irmã nascida no Casal dos Padres, que é também o local de nascimento do seu pai Domingos Dias Perdigão, em 1729.
Desde 1649 que encontramos baptismos de crianças nascidas no Casal dos Padres, sempre da ancestrais da mesma família do dito Lourenço Dias Perdigão.
Os próprios registos dão-nos a localização, que coincide com a actual Quinta do Perdigão, vejamos algumas descrições;
1651 – “Casal dos Padres da Igreja Matriz da Vila da Lourinhã”[1];
1671 – “Casal dos Padres da Igreja Matriz da Lourinhã, que está por cima desta Igreja de S. Lourenço dos Francos”[2]
O referido Lourenço Dias Perdigão parece ser o último, com este apelido, a morar naquele lugar, quase todos os seu filhos foram morar para as Papagovas.
A alteração do nome daquele Casal terá ocorrido por ser habitado por várias famílias de apelido Perdigão, como supra referimos.
A partir de 1855 já encontramos registos referindo a Quinta do Perdigão, no nascimento de filhos de Inácio Franco e Maria da Nazareth, ambos naturais da Carvoeira, Torres Vedras, e são os caseiros ou Feitores da Quinta, então propriedade de Francisco Romeiro da Fonseca (Siopa), que é inclusive padrinho de baptismo de uma destas crianças, de Francisco, em 1871[3], vejamos a descrição:
        “(…) Foi Padrinho Francisco Romeiro da Fonseca, solteiro, negociante, por seu bastante procurador Felipe Bernardo, caseiro da mesma Quinta (…)”.
O Siopa, como era conhecido Francisco Romeira da Fonseca, já tinha sido padrinho em 1850 de Joaquim Vieira, pai da mãe do Dr. Vieira Machado (nascida no sanguinhal), nesse baptismo, com a seguinte descrição:
        “(…) Padrinho o Exmº Sr, Francisco Romeira da Fonseca, do Sanguinhal (…)”
Num outro baptismo, de Joaquim, tio do Dr. Vieira Machado, realizado no Sanguinhal, em 1879, vemos mais uma vez o Francisco Romeira da Fonseca como padrinho, e assim apresentado:
        “(…) padrinhos O Meretíssimo e Excelentíssimo Senhor Francisco Romeyro da Fonseca, solteiro, negociante e proprietário, morador no Sanguinhal (…)[4]
Em 1860 o Abegão da Quinta (responsável ou caseiro da parte agrícola, dos animais e alfaias agricolas) é João da Silva Carruço, natural da Ermegeira, casado com Gertrudes Rita, da Abrunheira, e pais de 6 filhos, dos quais 4 nasceram na Quinta do Perdigão.
Os últimos residentes da Quinta do Perdigão eram descendentes de D. Amélia Almeida Rego, que casou em 1877 com o Guarda Livros da Quinta do Perdigão, Adolpho Ernesto Bordalol[5], falecido em 1890, tendo D. Amélia voltado a casar, em 1891 com Jayme Pereira Coutinho[6] .
O Adolfo Bordalo ficou na posse da Quinta do Perdigão doada em testamento, pelo Francisco Romeira da Fonseca[7].


[1] ANTT-Registos Paroquiais, Lourinhã, S. Lourenço dos Francos, Misto 2, p. 39v.
[2] ANTT-Registos Paroquiais, Lourinhã, S. Lourenço dos Francos, Baptismos 1, p. 10.
[3] ANTT-Registos Paroquiais, Lourinhã, S. Lourenço dos Francos, Baptismo 13, p. 12v.
[4] ANTT- Arquivo Distrital Leiria, Registos Paroquiais, Bombarral, Carvalhal, Baptismos 1879, assento 47.
[5] ANTT-Registos Paroquiais, Lourinhã, Moita dos Ferreiros, Casamentos 1, p. 57v.
[6] ANTT-Registos Paroquiais, Lourinhã, Lourinhã, Casamentos 41, assento 37/1891.
[7] Gazeta da Relação de Lisboa, Volume 16, Lisboa, 1903, p.305.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Campelenses na 1ª Grande Guerra

Há 100 anos atrás a localidade de Campelos, (então pertencente à freguesia de Santa Maria do Castelo, cuja sede estava a 18 km de distância, na Vila de Torres Vedras), vivia ainda mais preocupada, sabia desde Março de 1916 da entrada de Portugal na Primeira Guerra, mas agora chegava a notícia de que alguns dos seus filhos iriam participar no conflito.
Foram publicados Editais, que normalmente eram afixados em todas as terras, e sabe-se que o jornal  A Vinha de Torres Vedras publicava a 24 de Agosto de 1916 um edital da Junta de Inspecção de Revisão no qual (…) se deve proceder (…) à inspeção revisão de todos os indivíduos que, achando-se ao abrigo da lei de 2 de Março de 1911, foram, para esse fim, relacionados pelo secretário da comissão de recenseamento militar deste concelho. Na edição seguinte, o mencionado periódico torriense informava que (…) a partir do primeiro mez de setembro, todos os cidadãos dos 20 aos 40 anos, devem andar munidos de documento que prove terem cumprido ou terem sido isentos do serviço militar. Sabe-se pela mesmo jornal que haviam sido inspecionados na faixa dos 20 aos 25 anos, 765 indivíduos, sendo que 410 foram apurados para serviço militar, 165 ficaram isentos definitivamente e 191 isentos incondicionalmente.  [i]
O clima de guerra já se fazia sentir na área há algum tempo com os exercícios militares a decorrerem nas proximidades, em Paio Correia, Vimeiro e  Bogalheira, conforme descrição publicada em jornais, de uma visita aos locais, de membros do Quartel General, em finais de Outubro de 1916. [ii]
Foram dois os jovens Campelenses que foram para a Guerra, Francisco Antunes, e Laureano dos Santos.
Francisco Antunes nasceu em Campelos a 3/1/1890, 10º filho de António Antunes e de Gertrudes Emília, ambos de Campelos, com excepção do avô que era do Sarge, os outros eram todos de Campelos, ou localidades próximas.
Francisco Antunes embarcou para França a 8 de Agosto de 1917[iii], já casado desde 2/12/1914 com Gertrudes Delfina, natural do Casal do Vale Pereiro, Campelos, (2ª filha de José Amaro e de Delfina de Jesus, ambos de Campelos), e já com a sua primeira filha, a Maria Gertrudes Antunes, baptizada a 5 de Março de 1916.
Foi como Soldado Condutor, nº 635, no Regimento de Artilharia nº1/5º G.B.M./7ª Bateria/ 2ª Bateria. Regressou a 13 de Setembro de 1918[iv].
Faleceu em Campelos a 16/11/1968, deixando 7 filhos.
Laureano dos Santos, nasceu no Casal do Carregado (junto a Campelos) a 7 de Junho de 1893, 1º filho de Zeferino dos Santos, Exposto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, (que veio com dois dias de idade para o Casal do Carregado, onde foi criado, pela ama Luísa Maria) e de Adelaide de Jesus, natural de Campelos.
Laureano dos Santos embarcou para França a 21 de Agosto de 1917, solteiro, como soldado nº 251 da 2ª Companhia, C.A.P./1º Grupo/1º B.A.C. Regressou a 16 de Fevereiro de 1919.[v]
Laureano dos Santos casou a 26 de Dezembro de 1921 com Florinda da Conceição, de 29 anos, natural de Papagovas, Lourinhã, filha de José da Silva Carruço e de Maria da Conceição, viveram em Campelos, onde foram pais de 6 filhos. Faleceu na freguesia da Moita dos Ferreiros, Lourinhã, a 8/9/1966.
Uma vez que hoje Campelos está em União com a freguesia de Outeiro da Cabeça, sabemos pela mesma fonte que Manuel Baptista, solteiro, de Outeiro da Cabeça, filho de João Baptista e de Maria Luiza, embarcou para França a 19 de Agosto de 1917, como soldado nº 814, nos Sapadores Mineiros/2ª Companhia/R.S.M./2ª Companhia, e regressou a 31 de Março de 1919[vi]





[i]  Ramos, Helder, “A participação torrienses na Grande Guerra: Identificação e percursos de vida”,  in OS Portugueses na Grande Guerra/História e Memória. Turres Veteras XIX, 2017, p. 135.
[ii] Matos, Venerando Aspra de, “Ecos da Grande Guerra em Torres Vedras”, in OS Portugueses na Grande Guerra/História e Memória. Turres Veteras XIX, 2017, pp. 124-125.
[iii] Ramos, Helder, op. Cit., p. 162
[iv] Idem
[v] Idem, ibidem,  p. 156,
[vi] Idem, ibidem,  p. 162.