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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Família Cunha Manuel, do Oeste, ligação aos Torel, e talvez ao Gaspar Campello


1 - Lourenço da Silveira, foi Juiz dos órfãos da Lourinhã, faleceu a 12//7/1613, naquela Vila, foi casado com Filipa da Cunha, falecida a 9/3/1601, na Lourinhã, moradores na Marteleira, freguesia de S. Lourenço dos Francos, hoje Miragaia, concelho da Lourinhã, conhecemos a existência de 4 filhos:
2- Maria da Cunha, que casou a 4/5/1592, na Marteleira, com António de Gouveia, natural de Lisboa. testemunhas, entre outras António Godinho, de Torres Vedras, e Francisco Vaz, de Cascais. Não temos certeza, por não se conseguir documentar, colocamos como hipótese, pelo apelido, e por ligações com com outras pessoas, ser seu filho Francisco Gouveia da Cunha.
3 - Filipa, falecida em 1601, na Lourinhã
4 - Isabel da Silveira, casou a 20/2/1594, também na Igreja de S. Sebastião da Marteleira, com Francisco Vaz, de Cascais, desconhecemos descendência.
5 - Nicolau da Cunha Silveira, sabemos pela leitura do livro de Bacharéis de seu neto Francisco, que casou com Catarina Josefa, natural de Ribamar, Lourinhã, e conhecemos dois filhos, a Maria da Cunha, e o Nicolau da Cunha Silveira.

2 - Maria da Cunha, casada com António de Gouveia devem ter sido os pais de:
6 - Francisco Gouveia da Cunha, em 1656 era mesário, conselheiro nobre na Misericórdia da Lourinhã, em 1646 foi padrinho de Francisco, filho de Nicolau da Cunha Silveira casou com Maria de Mariz, filha de Sebastião Guoriso, e de Bárbara de S. Paio, viveram na sua Quinta do Espírito Santo, em Sapataria. julgamos não haver descendência, pois encontramos a referida quinta em posse de descendentes do Nicolau da Cunha Silveira.

5 - Nicolau da Cunha Silveira casado com Catarina Josefa, pais de:
7 - Maria da Cunha que faleceu solteira, em 29/9/1622, em Runa, julgamos que na casa do irmão.
8 - Nicolau da Cunha Silveira, nasceu na Lourinhã, faleceu na Lourinhã em 1667, casou com D. Maria Manuel Bobadilha, faleceu em Runa em 1692, que colocamos como hipótese, (pelo peso que o apelido Manuel tem no futuro, e por também haver ligações a Santarém) ser descendente de D, Bernardo Manuel, alcaide mor de Santarém, que casou 2ª vez (1520) com Maria de Bobadilha.
Este casal viveu primeiro na Lourinhã, onde nasceram 3 filhos, e depois em Runa, onde nasceram outros 3 filhos:
9 - Francisco da Cunha Manuel, nasceu na Lourinhã em Setembro de 1646.
10 - Engrácia, nasceu na Lourinhã em Junho de 1648.
11 - Joana, nasceu na Lourinhã em Junho de 1652.
12 - João, nasceu em Runa em Dezembro de 1653.
13 - Luís, nasceu em Runa em Julho  de 1658.
14 - Leonor, nasceu em Runa em Junho de 1660.

9 - Francisco da Cunha Manuel, Juiz dos órfãos da Lourinhã, faleceu em Runa em 1685, casou a 18/7/1668, em Santa Catarina, Lisboa, com D. Sebastiana de Seixas Félix, natural de Lisboa, filha de Máximo Arruda de Seixas, e Maria de S. António de Oliveira, viveram em Runa, onde foram pais de 8 filhos;
15 - Maria Madalena da Cunha, nasceu na Lourinhã
16 - Nicolau da Cunha Manuel, nasceu em Runa, em Agosto de 1669.
17 - Máximo, nasceu em Runa, em Julho de 1670.
18 - José, nasceu na Lourinhã, em Julho de 1675.
19 - Joana Francisca da Cunha Manuel, nasceu na Lourinhã, em Julho de 1678.
20 - João, nasceu em Runa em Novembro de 1680.
21 - Catarina, nasceu em Runa em Janeiro de 1683.
22 - Luís, nasceu em Runa em Abril de 1685.

15 - Maria Madalena da Cunha, casou a 17//7/1706, na Ermida da Quinta do Espírito Santo, Sapataria, Sobral de Monte Agraço, viúva de Jacques Hubert, com António Bellet, natural de Lyon, França, filho de Jaques Bellet de Tavernost, e de Catarina Alexandre, faleceu no terramoto de 1755, em Lisboa. conhecemos um filho:
23 - José Bellet da Cunha, várias vezes padrinho de baptismos, em Sapataria, entre 1728 e 1761, faleceu na Quinta do Espírito Santo, Sapataria, a 7/12/1764, solteiro, foi sepultado na Igreja da Sapataria, junto ao altar de S. Braz, acompanhado à sepultura com 16 padres, fez-se-lhe ofício a que assistiram 19 padres, fez testamento.
Nota - Esta Quinta do Espírito Santo é hoje propriedade da Comunidade Vida e Paz, por doação, em 1994,  de Julle Loose, cidadão Belga, o que nos leva a colocar a hipótese de poder ter havido continuidade familiar, atendendo à proximidade do geográfica com o 1º proprietário por nós conhecido ser de França, o supra referido António Bellet.

16 - Nicolau da Cunha Manuel, Cavaleiro Fidalgo e da Ordem de Cristo, Capitão do Guarda Roupa de Sua Majestade D. João V, Juiz dos órfãos da Lourinhã, Escrivão do Cível de Lisboa e  da Corte, casou a 8/12/1692, em S. Salvador, Santarém, com Cecília Doroteia da Costa, filha do Dr. Miguel Barbosa Carneiro, e de D. Leonor da Fonseca, viveram em Runa, foram pais de:
24 - Isabel Teresa da Cunha Manuel, madrinha de sobrinha Cecília, em 1718, na Igreja de Dois Portos.
25 - Sebastiana Francisca da Cunha Manuel, nascida em S. Salvador, Santarém.
26 - Leonor, nasceu em Runa em Outubro de 1695, os pais moravam em Marvila, Santarém.
27 - Francisco, nasceu em Runa em Setembro  de 1696.
28 - Francisca, nasceu em Runa em Junho de 1699.
29 - Francisco da Cunha Manuel, nasceu em Runa em Setembro de 1703.
30 - Maria Caetana da Cunha Manuel, nasceu em Runa em Outubro de 1705.
31- Miguel Barbosa Carneiro, nasceu em Runa em Março de 1707, em 1737 era frade,  da Ordem de Santiago, morava num colégio, em Coimbra. Em 1738 era Fidalgo capelão.
32 - Antónia Teresa da Cunha, nasceu em Runa em Maio de 1708, faleceu na Quinta do Espírito Santo, Sapataria, deixando como seu testamenteiro o sobrinho Nicolau da Cunha Manuel.
33 - Ana Teresa da Cunha Manuel, nasceu em Runa em Setembro de 1709, em 1740 foi madrinha por procuração, estava recolhida no Convento da Rosa, em Lisboa.

19 - Joana Francisca da Cunha Manuel, casou a 4/5/1701, em Santa Catarina, Lisboa, com Marcos António Thorel, natural de Roão, França, filho de António Thorel, e de Joana de Hors, já escrevemos sobre esta família, e seus descendentes, foram pais de:
34 - Francisco António Torel, nasceu em S. Paulo, Lisboa em Fevereiro de 1702.
35 - João Caetano Torel da Cunha Manuel, nasceu em S. Paulo, Lisboa em Março de 1703.
36 - António José Torel, nasceu em S. Paulo, Lisboa em Fevereiro de 1705.
37 - José Torel, nasceu em S. Paulo, Lisboa em Dezembro de 1706.
38 - Nicolau Joaquim Torel d a Cunha Manuel, nasceu na freguesia de Sacramento, Lisboa, em Setembro de 1712.
39 - Ana, gémea, nasceu na freguesia de Sacramento, Lisboa, em Setembro de 1718.
40 - Joaquim, gémeo, nasceu na freguesia de Sacramento, Lisboa, em Setembro de 1718.

25 - Sebastiana Francisca da Cunha Manuel, faleceu na Ribaldeira em Setembro de 1718, casou a 19/11/1716, em Runa, com Luís da Cunha Toar e Lemos, natural da Ribaldeira, Dois Portos, filho do Capitão Luís da Cunha Toar e Lemos, e de D, Maria Luiza Bernardes, forma pais de:
- Cecília, nasceu na Ribaldeira Julho de 1718.
29 - Francisco da Cunha Manuel, em 1738 Fidalgo da Casa Real, casou a 18/8/1754, em Runa, com D. Ana Felizarda Henriques de Castro e Melo, natural da Lourinhã, filha de Martinho Correia da Silva, e de D. Ana Henriques de Castro e Melo, pais de:
- Nicolau da Cunha Manuel de Melo e Castro.
30 - Maria Caetana da Cunha Manuel, casou a 29/6/1729, em Runa, Francisco António Torel, (nº 34 supra referido) sendo dispensados, da consanguinidade, por serem primos, em Runa foram pais de:
41 - Nicolau da Cunha Manuel Thorel, que faleceu em Junho de 1801, na Quinta do Espírito Santo, Sapataria. Deixou seu testamenteiro o irmão Francisco Xavier da Cunha Torel.
42 - D, Maria Joaquina da Cunha Torel, madrinha em 1736, na Sapataria.
43 - Joana Rita da Cunha Manuel, faleceu em Fevereiro de 1778, na Quinta do Espírito Santo, Sapataria.
44 - Francisco Xavier da Cunha Torel, nasceu em Runa em Dezembro de 1733, Monsenhor da Stª Igreja Patriarcal de Lisboa, é o testamenteiro de seu irmão Nicolau da Cunha Manuel, e de seu tio o Bispo Nicolau Joaquim Thorel da Cunha Manuel.
45 - Agostinho Manuel, nasceu em Runa em Agosto de 1735, foi seu padrinho, presencialmente o Infante D. Manuel, filho do Rei D. Pedro II.
46 - José, nasceu em Runa em Outubro de 1736.
47 - Luís, nasceu em Runa em Outubro de 1737.
48 - José Joaquim da Cunha, nasceu em Runa em Março de 1740, foi Baptizado pelo Dr. Nicolau Joaquim Thorel, Presbítero do Cabido de S. Pedro, Deputado do Stº Ofício na Inquisição de Lisboa, e morador na mesma cidade. Faleceu em 1796 na Quinta do Espírito Santo, Sapataria, deixando como testamenteiro seu irmão Nicolau da Cunha Manuel.


Considero, como hipótese, a Filipa da Cunha, supra referida, casada com Lourenço da Silveira, que nos surge como madrinha em baptismos de S. Lourenço dos Francos, ser irmã da esposa, ou filha de Gaspar Campello.
Ao fazermos a pesquisa na Habilitação de Genere do Bispo Nicolau Torel da Cunha Manuel,  havia a esperança de confirmar esta ligação, mas só recua até Nicolau da Cunha Silveira, e na  Leitura de Bachareis, de Francisco da Cunha Manuel,  recuamos até ao pai deste, que também tem o mesmo nome Nicolau da Cunha Silveira, que sabemos ser filho de Lourenço da Silveira e de Filipa da Cunha, que pelo casamento da filha Isabel da Silveira, sabemos que moravam na Marteleira onde o casamento se realizou, em 1594.

Gaspar Campello, que deu origem ao nome da Vila de Campelos, devido à Quinta que aqui tinha, era casado com Vicência da Cunha, foi padrinho de casamentos e baptismos em S. Lourenço dos Francos, entre 1589 e 1608, e sabemos que em 1610 faleceu e foi sepultado naquela igreja Gaspar da Cunha, neto de Gaspar Campello, portanto o apelido Cunha passou na geração seguinte, e atendendo aos registos encontrados naquela freguesia, nesse período, consideramos como filhos, no campo das hipóteses: Jacinta da Cunha, Nicolau da Cunha, Filipa da Cunha, supra referida, e António Campelo. Não sei se conseguirei confirmar estas hipóteses, que têm fortes indícios de possibilidade, mas que falta provar documentalmente.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Torel um apelido que me parece ter ligações ancestrais com Gaspar Campello.

Torel é nome de jardim em Lisboa, está situado, entre a Av. da Liberdade e o Campo Mártires da Pátria, ir pelo elevador do Lavra, que se apanha próximo da Av. da Liberdade, é um dos modos de lá se chegar. Este jardim é assim descrito pela Câmara de Lisboa:
Deste miradouro disfruta-se de uma vista desafogada sobre o vale da Avenida da Liberdade e a colina de São Roque, onde se destaca o jardim de São Pedro de Alcântara, os sucessivos patamares da Calçada de Santana e de um modo geral a zona Ocidental da cidade.
O Jardim do Torel, originário de uma quinta do início do século XVIII, deve o seu nome ao desembargador Cunha Thorel, o mais rico proprietário da zona. Em janeiro de 1928 o terreno do palácio foi cedido à Câmara Municipal de Lisboa que aí construiu o jardim e o miradouro, do qual se observa uma deslumbrante vista da parte ocidental de Lisboa. O espaço envolvente a este jardim é rico em numerosos exemplares de moradias nobres dos séculos XVIII e XIX. Em 2000 o Jardim do Torel foi alvo de uma intervenção de requalificação e restauro. A obra incluiu a instalação de um novo sistema de iluminação pública, composto por iluminação de presença e decorativa, possibilitando que de outros locais da cidade, o Jardim do Torel seja mais um ponto de interesse panorâmico na noite de Lisboa.
Na investigação histórica que venho efectuando focada essencialmente em Lourinhã e Torres Vedras cruzei-me com estes Torel, ou Thorel, nos Registos Paroquiais de Lourinhã, Runa e Sapataria.
O desembargador Cunha Thorel referido no sítio da Câmara de Lisboa é João Caetano Thorel da Cunha Manuel, nascido na freguesia de S. Paulo, Lisboa, no ano de 1703, filho de Marcos António Thorel, nascido em Ruão (Rouen em francês), Normandia, França, e de Joana Francisco da Cunha Manuel, nascida em 1678 na Vila da Lourinhã, que tinham casado em Maio de 1701, na Igreja de S. Catarina, Lisboa, foram pais de pelo menos 7 filhos, entre 1702 e 1718:
1702 - Francisco António Thorel, Cavaleiro da Ordem de Cristo,  casou em Runa, em 1729 com a sua prima direita Maria Caetana da Cunha Manuel, nascida em Runa, filha do seu tio materno o Capitão Nicolau da Cunha Manuel, deste casamento nasceram em Runa 8 filhos, dos quais não conhecemos descendência, alguns dos filhos faleceram na Quinta do Espírito Santo, da Sapataria, Sobral de Monte Agraço, o que mais se destacou parece ter sido o Francisco Xavier da Cunha Torel, foi testamenteiro do seu irmão Nicolau, e de seu tio o Bispo Nicolau Torel da Cunha Manuel, Em 1801 é referido como Monsenhor da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa, no registo de óbito do irmão.
1703 - João Caetano Torel da Cunha Manuel, Bacharel em Leis, pela Universidade de Coimbra, Corregedor de Elvas, Corregedor do Crime do Bairro Alto, Desembargador da Casa da Suplicação, Corregedor do Cível da Corte, casou com D. Agostinha Antónia Henriques Melo e Castro, foram pais de 3 filhos.
1705 - António José Torel, casou em 1745, na Igreja dos Anjos, com D. Maria Josefa de Mendonça, e mais tarde com Maria Antónia Margarida Couceiro Marreca, de que se conhecem 4 filhos.
1706 - José Thorel, faleceu solteiro na Quinta do Espírito Santo, Sapataria, Sobral de Monte Agraço, em 1766.
1712 - Nicolau Joaquim Thorel da Cunha Manuel, formado em Cânones em 1739, pela Universidade de Coimbra, Inquisidor do Tribunal de Évora durante uma década, Deputado do Conselho Geral da Inquisição, Provisor da Diocese do Porto (1768-1770), Bispo de Lamego (11/1770-7/1772), faleceu em Julho de 1772, na Quinta do Desembargador José Inácio Rodrigues, em Carnide, nomeia como testamenteiro seu sobrinho Francisco Xavier da Cunha Torel, Deputado do Santo Ofício e Juiz Geral das Ordens, morador na Rua larga de S: Roque, Lxª, foi sepultado no Convento de S. João da Cruz dos religiosos carmelitas descalços deste lugar de Carnide, como deixou determinado no seu testamento. Faleceu sem ocupar o cargo de Bispo de Lamego.
1718 - Joaquim, e Ana, gémeos, sem mais informação.
Coloco como hipótese a Filipa da Cunha, que nos surge como madrinha em baptismos de S. Lourenço dos Francos, ser irmã da esposa, ou filha de Gaspar Campello, então estes “Torel” são seus descendentes pelo lado materno, a supra referida Joana Francisca da Cunha Manuel.
Ao fazermos a pesquisa na Habilitação de Genere do Bispo Nicolau Torel da Cunha Manuel,  havia a esperança de confirmar esta ligação, mas só recua até Nicolau da Cunha Silveira, e na  Leitura de Bachareis, de Francisco da Cunha Manuel,  recuamos até ao pai deste, que também tem o mesmo nome Nicolau da Cunha Silveira, que sabemos ser filho de Lourenço da Silveira e de Filipa da Cunha, que pelo casamento da filha Isabel da Silveira, sabemos que moravam na Marteleira onde o casamento se realizou, em 1594.
Gaspar Campello, que deu origem ao nome da Vila de Campelos, devido à Quinta que aqui tinha, era casado com Vicência da Cunha, foi padrinho de casamentos e baptismos em S. Lourenço dos Francos, entre 1589 e 1608, e sabemos que em 1610 faleceu e foi sepultado naquela igreja Gaspar da Cunha, neto de Gaspar Campello, portanto o apelido Cunha passou na geração seguinte, e atendendo aos registos encontrados naquela freguesia, nesse periodo, consideramos como filhos, no campo das hipóteses: Jacinta da Cunha, Nicolau da Cunha, Filipa da Cunha, supra referida, e António Campelo. Não sei se conseguirei confirmar estas hipóteses, que têm fortes indícios de possibilidade, mas que falta provar documentalmente.

Como podemos ver nas referências às pessoas com o apelido Torel, o apelido Cunha Manuel, mantém-se, e por vezes até sobressai, em breve escreveremos sobre ele.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Lançamento Livro "Os Expostos da Roda de Lisboa"

                               Foto: jornal Alvorada

Na Biblioteca Municipal da Lourinhã, dia 9 de Abril, na mesa, da esquerda para a direita:
Fernando Mão de Ferro, editora Colibri; Maria de Fátima Reis, Faculdade de Letras de Lisboa; José António Pereira, Centro de Estudos Históricos da Lourinhã; João Duarte Carvalho, Presidente da Câmara Municipal da Lourinhã; José Damas Antunes, autor do livro; José António Santos, Presidente do Grupo Valouro.

Apresentação do Livro:
José Damas Antunes
Os Expostos da Roda de Lisboa. Percursos de Vida na Lourinhã e em Torres Vedras. Séc. XVII-XIX, Lisboa, Edições Colibri, 2015


Local: Auditório Municipal de Torres Vedras e Biblioteca Municipal da Lourinhã
9 de Abril de 2016
Maria de Fátima Reis


          Representa este momento o culminar de um processo que teve o seu início há vários anos, quando José Damas Antunes, interessado em conhecer a história da sua terra, Campelos, ia reunindo informação sobre os naturais e residentes na região de Torres Vedras, que o levou à construção de uma base de dados que permitisse tratar e correlacionar a investigação compulsada. Já no âmbito do mestrado teve o autor a oportunidade de enquadrar parte da pesquisa realizada e encontrar na temática dos expostos a visibilidade que hoje nos reúne aqui – Os Expostos da Roda de Lisboa. Percursos de Vida na Lourinhã e em Torres Vedras. Séc. XVII-XIX. Com gosto orientei a dissertação que está na base deste livro e que mereceu ao seu autor a obtenção do grau de mestre em História Moderna e Contemporânea, no ano de 2015.
          Com o estudo dos expostos iniciei o meu percurso académico que levou ao grau de mestre em História Moderna, no ano de 1989. Revisitar o tema, volvidos vários anos, teve para mim especial significado.
          Homem que vive intensamente o presente, envolvido na política partidária, com obra histórica recentemente publicada nesse domínio, José Damas Antunes olha para o passado para nele ver os elos de continuidade e de transformação das vivências. José Damas Antunes prova-nos como é possível ser comprometido com as causas de hoje e intervir de formas diversas na sociedade, sempre com um sentido de responsabilidade e militância que não se restringe à política quotidiana e à res publica, mas que engloba a prática histórica como exercício para melhor nos conhecermos.
Se este pode ser um dos sentidos de utilidade da História, então posso dizer que esta obra dá a conhecer uma realidade que ainda perdura na memória de alguns, pelos processos de transmissão oral – refiro-me à prática do enjeitamento de crianças. A sensibilidade da análise perpassa a narrativa aos mais diversos níveis e tem a sua máxima expressão na capa da obra com a gravação de nomes de expostos, que, desta forma, são lembrados. Registado fica também um sinal, dos muitos que acompanhavam as crianças abandonadas com o propósito de recuperação futura. Destaque na capa ainda para uma roda, a de Caria, em Belmonte, que lembra o local e forma dos abandonos; recorde-se, modalidade que levou, em 1783, à legalização e promoção de existência deste mecanismo de abandono de crianças. O acto de rememorar, essência da História, é assim realizado nesta obra, pela investigação, pela interpretação e pela imagem.
Digo, rememoração pela investigação para fazer sobressair os processos de pesquisa levados a cabo pelo autor. E que foram concretizados tanto nos arquivos centrais e locais, em demorada e cuidada recolha, e no inerente confronto dos documentos, como no terreno, reunindo traços da memória oral. Digo, rememoração pela interpretação para destacar a habilidade do autor, tanto na aplicação de métodos, de natureza diversa, - demográficos, estatísticos, linguísticos – como na construção da análise que exigiu, igualmente, o domínio de várias especialidades da História: antes de mais, da Demografia Histórica, mas também, da História das Mentalidades, da História da Vida Quotidiana, da História da Assistência, da História da Criança, da Prosopografia Histórica. E digo ainda rememoração pela imagem, pois, cada nome é uma História de Vida e uma Vida com História. José Damas Antunes encontra em cada nome a Pessoa na plenitude das suas vivências – materiais, psicológicas, afectivas –, em que é possível surpreendermos as formas de inserção de cada um nos novos seios familiares, entrevendo os caminhos e as raízes que fundam no espaço de criação, que passará a ser identitário.
Este é mesmo um dos traços de originalidade deste livro, que procura seguir os expostos que, abandonados na Roda de Lisboa, encaminhados para amas de zonas rurais, encontraram nos ares e nas famílias de Torres Vedras, de Campelos e da Lourinhã, uma hipótese de vida que muitos outros não conseguiram alcançar, por perecerem; vítimas das próprias condições do abandono ou do transporte. Mas, os que chegaram a Torres Vedras, a Campelos e à Lourinhã beneficiaram, como disse, dos bons ares das localidades, como era reconhecido pela Misericórdia de Lisboa, e favorecidos ficaram ainda do zelo das amas que os tiveram ao seu cuidado e, que, apesar de todas as contingências de criação, entenda-se de alargamento do seio familiar, remuneradas é certo, para o efeito, deram a estas crianças uma oportunidade – a da própria Vida.
Sensível a esta realidade que percorre as várias épocas históricas e que não é propriamente exclusiva de Portugal, no que respeita à prática do abandono e ao processo de assistência, José Damas Antunes soube com mestria escrever sobre um assunto que tem associado o estigma social de ter sido exposto. Esta é também, em meu entender, outra das novidades que a obra encerra: se, em termos sociais, não seria propriamente fácil para cada uma das Pessoas identificadas pelo Autor, assumir estas suas origens, que entroncam no abandono pelos seus progenitores, é um facto que o enjeitamento tem de ser entendido à luz das mentalidades do tempo; que o mesmo é dizer das estruturas então criadas para responder a esta prática e das formas de recepção e inserção comunitária. Aspecto que o autor deixa claro, reconhecendo que no caso dos expostos criados em Torres Vedras, em Campelos e na Lourinhã se está perante uma integração que esbate o estigma, mas não esquece a origem.
Filhos da Roda, que sugere uma filiação desconhecida, estes expostos tornaram-se filhos da terra que os acolheu. Muitos foram criados aqui e aqui criaram laços, dando também, pelo trabalho e pela geração iniciada, o seu contributo para a dinâmica económica e social desta região. Provando, como bem mostra o autor, que as suas raízes de abandono familiar, desestruturante, não condicionou um percurso de vida estruturada, num novo enquadramento familiar e regional. Quero assim relevar, o que o autor trata de forma exemplar: o papel que as amas tiveram na redefinição dos trajectos destas crianças abandonadas e o papel que a população local teve na integração destes deslocados, que não tinham sequer disso noção, e que, expostos, de filhos da Roda passaram a filhos desta terra, e que, graças às famílias que os criaram, aqui criaram raízes.
Cuidadoso na recolha da informação e rigoroso no tratamento dos dados, o autor empreendeu contactos para localizar descendentes de expostos na região estudada e aplicou técnicas para registar testemunhos. Atento às tendências recentes da História da beneficência, foi para ele fácil situar o caso em observação e dimensioná-lo nas políticas do tempo. Quer isto dizer que nesta obra se encontra também uma pronta síntese do panorama da assistência aos expostos em Portugal. A vantagem de conhecimento interdisciplinar foi determinante na metodologia exercitada. Certo da complexidade inerente à análise da história mais recente, cuidou o autor de cruzar as fronteiras do saber numa abordagem interdisciplinar, convocando a História, a Demografia, a Sociologia. Entusiasta da escrita, esta obra de História tem o rigor da descrição dos factos e o sentimento de quem os interpreta, na desejada objectividade que se requer à construção do conhecimento histórico. O recurso à memória viva exigiu um intenso trabalho da parte do autor, seja na recolha da informação, seja no tratamento desses dados, que exigiram engenho no ajustamento das ferramentas hermenêuticas.
Trabalhar com as impressões, as marcas pessoais deixadas pela vida, implica captar as próprias sensibilidades dos homens no tempo, uma área já definida de psicologia histórica que o autor sabiamente enfrentou. Sendo certo que toda a história confronta o historiador com a verdade do acontecido, é real que, se por um lado, se admite que a distância em relação à ocorrência dos factos pode facilitar a objectividade da análise e até propriamente define o labor historiográfico, por outro lado, se reconhece que a memória recente ou transmitida dos acontecimentos pode viabilizar um conhecimento mais seguro do que se passou. É precisamente perante estas propensões de trabalho historiográfico – o distante e o próximo – que situo o estudo desenvolvido por José Damas Antunes e vejo no livro a história de uma instituição – a Roda – que marcou a vida de muitas pessoas e determinou os seus caminhos futuros.
É chegado o momento de dizer que a múltipla capacidade de realização expressa pelo autor dá-nos, pois, a certeza de que estamos perante um livro de trabalho verdadeiramente interdisciplinar, em que o rigor e o detalhe nos dizem que este não é um livro ao alcance de realização de muitos. Porque impõe conhecimento, porque exige persistência, porque requer muita paciência, porque pede sensibilidade. Qualidades que reconheço no autor. Fica agora Torres Vedras e a Lourinhã, e também Lisboa, com uma obra que mostra uma realidade de muitos desconhecida. Em boa hora as Edições Colibri acolheram a publicação deste livro que terá, como se deseja, nos seus leitores, o prolongamento da mensagem que encerra. Mensagem valorizada com imagens e anexos documentais, em que ganham vida sinais de expostos, deveres das amas, testemunhos de percursos.

Ao Dr. Fernando Mão de Ferro, que dirige as Edições Colibri, editora consagrada no meio Académico, é de agradecer ter querido integrar esta obra na linha editorial de publicações. E aos municípios de Torres Vedras e da Lourinhã é de agradecer o apoio concedido, ficando assim as respectivas Histórias Locais mais ricas com um estudo que a muitos diz respeito. Agradecimento também ao grupo Valouro pelo patrocínio concedido, que tem no seu Presidente, o empresário José António Santos, a expressão maior de percursos de sucesso, cujas origens entroncam nos expostos estudados. Ao autor só posso desejar que prossiga as investigações no âmbito regional com o empenho e saber já plenamente demonstrados.


sábado, 19 de março de 2016

Livro "Os Expostos da Roda de Lisboa - Percursos de Vida na Lourinhã e em Torres Vedras, Séc. XII-XIX

Este livro reúne o que se sabe sobre a história de Campelos, sistematizando e acrescentando algumas novidades. O seu lançamento está para breve, como se vê no texto abaixo, retirado do portal da Câmara de Torres Vedras, onde o evento está a ser divulgado.


"Os Expostos da Roda de Lisboa - Percursos de vida na Lourinhã e em Torres Vedras Séc. XVII-XIX"

Lançamento do Livro da autoria de José Damas Antunes

9 de abril de 2016 | sábado | 15h30

Local: Auditório Municipal 
"Os Expostos da Roda de Lisboa - Percursos de Vida na Lourinhã e em Torres Vedras"
Autoria: José Damas Antunes
Edições Colibri
"O livro foca os percursos de vida de Expostos da Roda de Lisboa que foram para Lourinhã e Torres Vedras, observando o impacto demográfico e económico que estas crianças abandonadas tiveram na região e nas respectivas formas de integração social, e dá a conhecer a Roda dos Expostos de Torres Vedras.
Aborda o desenvolvimento demográfico de Campelos e terras limítrofes, e mostra a importância da memória colectiva desse povo, com mais informação sobre Gaspar Campello, como um dos actores nas cerimónias fúnebres de D. Sebastião, e o responsável pelo abastecimento das tropas que acompanharam D. António Prior do Crato na sua última tentativa de ser Rei de Portugal, em 1589". 

Auditório Municipal
Av. 5 de Outubro
2560 - 270 Torres Vedras

domingo, 4 de março de 2012

BNU - Banco Nacional Ultramarino: DR. VIEIRA MACHADO

Mais informação sobre o Dr. Vieira Machado, incluindo fotos, no blog com o link abaixo, ficamos a conhecer um pouco mais deste ilustre conterrâneo da Ribeira de Palheiros, cuja família tem fortes ligações a muitos dos residentes daquela localidade e das outras localidades que rodeiam a Freguesia de Campelos.

BNU - Banco Nacional Ultramarino: DR. VIEIRA MACHADO

terça-feira, 12 de abril de 2011

Uma partilha de bens, em 1870, do Casal do Rocio, Campelos, Torres Vedras

Para muitos será cansativo ler tudo, mas sugiro a leitura, no minimo do que está sublinhado, pois é engraçado vermos o género de bens que eram partilhados, como exemplo os lençóis.
Este texto foi-me cedido por Álvaro Ferreira da Silva, dos Campelos.
transcrição:
Juízo de Direito e Órfãos da Comarca de Torres Vedras
Sentença Civil de formal de partilhas passada a favor e requerimento de Josefa Maria moradora no Casal do Rocio, como tutora e legitima administradora  do menor seu filho da legitima que, digo, seu filho menor João Francisco, da legitima que lhe aconteceu por falecimento de seu pai João Francisco, morador que foi no Casal do Rocio, tudo como nesta se souberem e  declarara

Dom Luiz Primeiro por Graça de Deus, pela Constituição da Monarquia, Rei de Portugal, dos Algarves e seus Domínios. A todos os meus Doutores, Desembargadores, Juízes Presidentes de primeira e segunda instância, e bem assim a todas as mais justiças e oficiais delas e pessoas destes Meus Reinos, e Senhores de Portugal, aqueles, a quem onde e perante quem e a cada um dos quais esta Minha presente Sentença Cível de formal de partilhas em forma dada, tirada do processo dos próprios autos de Inventario for apresentada, e o verdadeiro conhecimento dela em direito directamente deva e haja de pertencer e o seu devido efeito, inteiro cumprimento, plenário e Real execução dela, e com ela se poder e requerer por qualquer via modo, forma, maneira, estilo ou razão que seja e ser prova.  Faço-vos saber a todos em geral e a cada um em particular em suas Jurisdições em como no Meu Juízo de Direito da Comarca de Torres Vedras, perante o Meu Doutor Juiz de Direito da Comarca de Torres Vedras adiante nomeado e no fim desta assinado; Aos três dias do mês de Fevereiro do ano de mil oitocentos setenta se começaram a tratar; correr, processar uns autos cíveis de Inventario entre menores dos bens que ficaram do Inventariado João Francisco, morador que foi no dito Casal do Rocio, que faleceu aos quatro dias do mês de Dezembro de mil oitocentos sessenta e nove, sem fazer testamento, ou outra alguma disposição, ficando por Inventariante e Cabeça de Casal de todos os bens que dele ficaram do tempo do falecimento do dito Inventariado, a viúva Josefa Maria que prestou juramento aos três dias do mês de Fevereiro de mil oitocentos e setenta, e depois de terem corrido todos os seus devidos termos, se procedeu em concelho de família para a nomeação de tutor Protector e louvados na conformidade da Lei, os quais prestaram juramento como consta dos respectivos termos se passou a fazer descrição e avaliação de todos os bens do Casal Inventariado, e tendo corrido seus devidos termos, e a final respondido a Doutor Curador Geral dos Órfãos por parte dos menores sobre a forma da partilha se procedeu a factura, digo, a partilha na conformidade da Lei se procedeu a factura do mapa da partilha, separando-se primeiramente a meação da Viúva, e da outra meação se fizessem os respectivos quinhões aos interessados logo se via e mostrava estar nos ditos autos o pagamento feito ao menor, digo, ao herdeiro menor João Francisco de sua legitimada maneira seguinte: Há-de haver o herdeiro João Francisco de sua legitima paterna que lhe aconteceu por falecimento de seu pai João Francisco, a quantia de cento e cinquenta e dois mil setenta e dois reis (152$072); Haverá para seu pagamento os bens designados com os números seguintes: Seis – que consta de uma arca de madeira de pinho que levará quarenta e nove decalitros e sessenta e oito decilitros correspondente a trinta e seis alqueires, com o número um a que os louvados deram o valor de mil e seiscentos reis (1$600); Sete que consta de uma arca de madeira de pinho, velha que lavará quarenta e um decalitros e quatro litros, correspondente a trinta alqueires,  com o número dois, a que os louvados deram o valor de quatrocentos reis ($400); Oito – que consta de uma arca de madeira de pinho que levará  dezasseis decalitros, noventa e seis decilitros correspondente a doze alqueires com o número três, a que os louvados deram o valor de duzentos e quarenta reis ($240); Catorze – que consta de dois lençóis muito velhos, a que os louvados deram o valor de oitocentos reis ($800); Dezassete – que consta de um cobertor de sirguilha riscado, (sirguilha, é o mesmo que seriguilha, pano grosso de lã, sem pelo) a que os louvados deram o valor de oitocentos reis ($800); Vinte e três – que consta de três sacos liteiros, velhos, (liteira é tecido de estopa e lã) a que os louvados deram o valor de trezentos e sessenta reis ($360); Vinte e quatro – que consta de dois sacos liteiros, em bom uso a que os louvados deram o valor de quatrocentos reis ($400); Vinte e cinco – que consta de um enxergão usado a que os louvados deram o valor de trezentos reis (na margem em numerário está 360 reis) ($360); Vinte e oito – que consta de um Tonel, velho, que serve para ter águapé, que os louvados deram o valor digo, que levará cento e doze decalitros, e cinquenta e seis decilitros correspondente a sessenta e sete almudes, a que os louvados deram o valor de três mil e seiscentos reis (3$600); Cinquenta e dois – que consta de uma Vaca preta, e branca, a que os louvados deram o valor de onze mil reis (11$000); Cinquenta e três – que consta de uma novilha de cor preta a que os louvados deram o valor de nove mil reis (9$000).  Haverá vinte alqueires de milho, correspondente a duzentos e sessenta e quatro litros dos cento e sessenta alqueires do milho descritos debaixo do número cinquenta e oito, que a preço trezentos e quarenta o alqueire, dado pelos louvados faz a total quantia de seis mil e oitocentos reis (6$800); Sessenta e seis – que consta de uma Terra, um pequeno pinhal, chamado da Pedreira, nos limites do Casal do Rol, que levará dois decalitros, e oitocentos e vinte e nove centilitros, correspondentes a dois e meio alqueires de semeadura, e parte do Norte com fazenda de Manuel Capitão, Sul com fazenda de Manuel Faustino, Nascente com fazenda de Manuel Antonio, Ponte com fazenda de João Baptista, a que os louvados deram o valor de cinquenta mil reis, sendo licitada com cinquenta reis, faz a quantia de cinquenta mil e cinquenta reis (50$050); Haverá de tornas da viúva inventariante sua mãe Josefa Maria a quantia de sessenta e seis mil setecentos vinte e dois reis (66$722); Segundo que tudo assim se continha e declarava em o dito pagamento, vendo depois nos mesmos autos de inventario a folhas sessenta e oito verso a Sentença que julgou as partilhas, da qual o seu teor e pela maneira seguinte: Julgo por Sentença estas partilhas visto estarem conformes ao determinado. Cumpra-se, e pague a Cabeça de Casal as custas do processo, nos termos da Lei  aos interessados deixo o direito salvo para as competentes acções. Torres Vedras catorze de Maio de oitocentos e setenta; João Antonio Rodrigues de Miranda.
Segundo que tudo assim se continha e declarava em a dita e mencionada Sentença, que sendo assim dada e proferida foi outro sim havida por publicada, mandada cumprir, e guardar, assim e da maneira que em ela se contém e declara; e logo por parte de Josefa Maria moradora no Casal do Rocio como tutora e legitima Administradora do menor seu filho João Francisco, me foi pedido e requerido que do processo dos próprios autos de Inventario que por este Juízo de Direito se fez por falecimento de Inventariado seu pai João Francisco, morador que foi no dito Casal do Rocio dos bens que dele fica no lhe mandasse dar, e passar extrair, e resumir sua Sentença Cível de formal de partilhas da legitima que pertencem ao dito seu filho menor João Francisco, dos bens que ficaram por falecimento de seu pai João Francisco Sénior, visto que sem esta não podia fazer, digo, Sénior, para com ela poder tratar de todo o seu direito e Justiça, visto que sem o não podia fazer, e atendendo ao seu requerimento por ser justo deverão e conforme o direito e Justiça lhe mandei dar e passar. Extrair e resumir, e é a presente pela qual Mando a todas as Minhas Justiças no principio desta declaradas que sendo-lhes esta apresentada, indo ela primeiramente assinada pelo Meu Doutor Juiz de Direito da Comarca de Torres Vedras João Antonio Rodrigues de Miranda, e por ele rubricada no    valha sem selo em causa que ante ele servo de chancelaria a cumpram e guardam, e façam em tudo e por tudo muito inteiramente cumprir e guardar assim e da maneira que em ela se contem e declara, e  em seu cumprimento observância, e por virtude dela haverá a si a dita tutora, e administradora Josefa Maria todos os bens que no pagamento nesta incerto pertencerão ao menor seu filho João Francisco Júnior, morador no Casal do Rocio, para que os possa gozar, e desfrutar enquanto o dito menor não se emancipar, ou se casar, para depois, em qualquer destes casos, o dito menor possa entrar na posse de todos os bens declarados nesta sentença, para os gozar e desfrutar como seus  próprios que ficarão sendo, para deles poder dispor e seus sucessores sem duvida ou embargo algum, o que tudo assim se cumprirá e declara. El Rei o Senhor Dom Luiz primeiro, o Mandou pelo Doutor João Antonio Rodrigues de Miranda, Juiz de Direito da Comarca de Torres Vedras com Alçada. Vai esta subscrita por João Guilherme Barbosa, Escrivão Ajudante em um dos Ofícios diante o Juiz de Direito, da supra, digo, de Direito da supradita Comarca de Torres Vedras, por mercê do mesmo Augusto Senhor que Deus Guarde.
Dada e passada em esta Vila de Torres Vedras aos onze dias do mês de Junho do Ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos setenta.  Pagar-se-á de feitio desta, assinatura, selos, e chancelaria, o que a margem for e contado pelo contador do Juizo. E eu João Guilherme Barbosa, escrivão ajudante subscrevi e rubriquei.
(O total a pagar foi de 1$343 reis)