sábado, 19 de agosto de 2017

II – Continuação da publicação de alguns apelidos da Freguesia de Campelos, Torres Vedras, suas origens (Augusto, Ramos, Paulo, Caetano, Marquês)

Tendo verificado que este tema é o mais procurado nas visitas ao blog, devido à dimensão do espaço disponível não é possível acrescentar mais nomes sob o mesmo titulo criamos um novo para continuar, onde inserimos os que já tinham sido publicados avulso.

 Com base nos dados da recolha geneológica por mim efectuada, que vai já com mais de 22.000 nomes inseridos, recolhidos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, assim como noutros locais, e uma parte já via online, pois os registos paroquiais de Torres Vedras e Lourinhã já estão disponiveis, e felizmente outros vão surgindo.
Grande parte do levantamento é da Igreja de S. Lourenço dos Francos, que pela sua proximidade, era onde a maioria dos nossos antepassados realizavam os seus actos religiosos.
Os números que estão entre parentessis são da base de dados, têm a ver com a ordem de entrada e servem aqui para minha orientação.
Os limites temporais são desde os registos existentes, de finais do século XVI (poucos), a 1945, data da criação da freguesia de Campelos.
Irei colocando apelidos, primeiro os que me merecem menos dúvidas, e, dependendo do tempo disponível, este é o 2º grupo de apelidos.

32 - Augusto:
Na freguesia de Campelos o Apelido Augusto que é largamente predominante é originário de Augusto Faustino, nascido em Campelos, em 29/5/1867, filho de Manuel Faustino e de Maria Isabel.
Augusto Faustino casou na Igreja de Santa Maria do Castelo, de Torres Vedras, em 10/11/1900, com Maria da Nazaré, viúva de Amaro Rodrigues, que era exposto da Roda de Lisboa, falecido em Campelos, em 1893. A Maria da Nazaré nasceu na Quinta do Perdigão em 22/3/1862, filha de João da Silva Carruço, e de Gertrudes Rita.

No casamento o casal Augusto Faustino e Maria da Nazaré, legitimaram os seus filhos José nascido em 1895 (falecido com 1 ano) e a Leopoldina de Jesus nascida em 1899, foram pais de mais 3 filhos: José Augusto, Maria de Jesus, e Joaquim Augusto. Foram avós de 23 netos, todos nascidos em Campelos e Casais do Rijo.

33 - Ramos:
Os apelidos Ramos, na freguesia de Campelos, Torres Vedras, excepto casos pontuais, têm genericamente origem em Papagovas e Cabeça Gorda, sendo a larga maioria desta última localidade, e é sobre estes que primeiro vamos escrever.
Quando no dia 18 de Abril de 1886 nasceu na Cabeça Gorda o 3º filho do Casal António Joaquim, e Maria da Piedade, e que foi baptizado na Igreja de S. Lourenço dos Francos no dia 5 de Maio, com o nome de Manuel, decerto não esperariam os seus pais que ele e seus descendentes usariam o apelido “Ramos”
Desconhecemos quando se terá oficializado o uso deste apelido. A quando do casamento, realizado na Igreja de Santa Maria do Castelo, em Torres Vedras, no dia 28/4/1909, entre o referido Manuel Joaquim, então com 23 anos, e Maria da Piedade, com 22 anos, natural de Casais do Rijo, filha de António Martins e de Joaquina da Conceição, ainda não há uso do apelido Ramos, sendo provável que o noivo já fosse conhecido por Manuel Joaquim “Ramos”.
Provavelmente foram só os filhos desta família que começaram a usar formalmente o apelido “Ramos”.
Este apelido deverá dever-se ao facto do dia de nascimento do Manuel Joaquim, o dia 18 de Abril de 1886 ser o Domingo de Ramos daquele ano, conforme se pode verificar nos calendários hoje facilmente disponíveis na net.
O Manuel Joaquim “Ramos” e a Maria da Piedade foram pais de pelo menos oito filhos:

Luísa da Piedade, Joaquina, António Joaquim Ramos, Palmira da Conceição, Celeste da Piedade Ramos, Maria da Anunciação, Florentina da Piedade Ramos, e João Ramos.  

Sobre o apelido “Ramos” oriundo de Papagovas, ele surge-nos após o casamento realizado na Igreja de S. Lourenço dos Francos, em 10/6/01877 entre  Joaquim Ramos, de 24 anos, natural do Sobral, Lourinhã, filho de António Ramos e de Josefa da Conceição, com Maria José, de 22 anos, natural da Moita dos Ferreiros, moradora nas Papagovas, filha de Manuel Luís e de Jesuína da Conceição.
Desta Família nasceram em Papagovas 12 filhos:

Francisco Ramos, Joaquim Ramos Junior, António, Maria da Conceição, José, Ricardo, Luiz Ramos, Jesuína, Daniel, José, Augusto Ramos, Adriano Ramos.

34 - Paulo;
O apelido Paulo, na freguesia de Campelos, Torres Vedras, frequente sobretudo na Cabeça Gorda, mas com um ramo também no Casalinho das Oliveiras, tem a sua origem possivelmente na mesma pessoa o Paulo Vieira (481), nascido em 1764, nos referido Casalinho, donde a mãe era natural, e o pai dali próximo, do Casal das Quintas.
O Paulo Vieira (481) nascido no Casalinho da Oliveiras, S. Maria, Torres Vedras, casou em 1788 com Helena Maria (482), dez anos mais velha, natural da Marteleira, deste casamento nasceram pelo menos 3 filhos, a Maria Isabel (479), a Domingas Maria (1091) e o Manuel Paulo (1092), que constituíram família e viveram por aqui perto.
1 - A Maria Isabel (479) nascida em 1789, casou  em 1810 com Manuel Joaquim (478), viveram em Casais do Rijo, foram pais de pelo menos 12 filhos, dos quais destaco, (por ter interesse para a continuação deste apelido Paulo) o José Joaquim (Marquez), e o Paulo Joaquim (1263).
O José Joaquim (Marquez) nasceu em 1830, casou em 1858 com Carlota do Nascimento, natural do Casal da Charneca, S. Maria, Torres Vedras, e com Maria Roza (5977) em 1900. do 1º casamento nasceram 10 filhos,em Casais do Rijo, Campelos e Cabeça Gorda, um deles o Paulo Joaquim (2777), em 1869. Este Paulo casou em 1894 com Josefa Maria (2434), da Amieira Grande, viveram na Cabeça Gorda, onde nasceram pelo menos 7 filhos, três dos quais com o apelido “Paulo”, o António Paulo (3520), o José Paulo Joaquim (3361), e o João Paulo (3358), dos quais há vários descendentes com este apelido.
O Paulo Joaquim (1263), nascido em 1834, irmão do anterior, tio do outro Paulo Joaquim (3361), casou em 1874, com Joaquina da Conceição (3305), natural dos Casais das Campainhas, foram pais de dois filhos (ele faleceu em 1885), um deles o Manuel Paulo (3306), nascido em 1875 nos Casais do Rijo, casou com Delfina da Conceição (5095), natural da Cabeça Gorda, onde viveram, foram pais de pelo menos 5 filhos, o Joaquim Manuel Paulo, António Paulo (Cruz), Manuel Paulo (6859), José Paulo, e Maria Delfina, dos quais há vários descendentes com o apelido Paulo.
2 - o Manuel Paulo (1092) nasceu em 1797, casou em 1839 com Eufrazia da Conceição (1773), natural do Casal Junceira, da Moita dos Ferreiros, viveram no Casalinho das Oliveiras e foram pais de pelo menos 8 filhos, dos quais pelo menos o José Paulo (1777) e o Francisco Paulo (1778), deixando descendência com este apelido.
Assim podemos concluir que ambos os ramos com apelido Paulo terão a sua origem na mesma pessoa o Paulo Vieira (481) este apelido vieira vem do lado feminino, e do Ramalhal.

Fica para uma próximo a descrição mais em pormenor, mas o apelido Marquez, ou Marquês, um deles acima referido, deve derivar de uma “alcunha”, pois são todos filho do referido Manuel Joaquim (478), são todos primos destes com o apelido Paulo.

35 - Caetano

Na área da freguesia de Campelos, Torres Vedras, até 1945 eram três as origens dos apelidos Caetano.
De um desses ramos desconhecemos a origem, mas em 1949 foi baptizado, já nesta freguesia uma criança com o apelido Caetano, filha de Francisco Caetano, mas não registámos origem dos pais, nem temos mais informação.
Os outros dois ramos com apelido Caetano:
Um são os descendentes de Caetano Ferreira (1068), natural e residente em vale de Lobos, nasceu em 1793, casou duas vezes, foi pai de pelo menos 12 filhos, sabemos de um deles, o José Caetano (12429) que ficou com o apelido Caetano, mas é do filho Joaquim Ferreira (1037), nascido em 1824, e que veio a casar com Maria da Conceição (1059), natural de Casais do Rijo, onde a família se fixou, e mais tarde em Campelos, são pais de pelo menos cinco filhos, dois deles com o apelido Caetano, o João Caetano (2105), nasceu em Campelos em 1855, casou e viveu em Miragaia, e o António Ferreira Caetano (1070), nascido em Casais do Rijo, em 1847, casou com Maria da Conceição, natural do Vimeiro, fixaram residência na Cabeça Gorda, e foram pais de pelo menos 10 filhos, em que alguns ficaram com o apelido Caetano Ferreira, parecendo-nos que hoje ninguém mantém este apelido.

Assim das famílias mais antigas da freguesia, segundo o nosso conhecimento,  só uma delas continua a manter o apelido Caetano, são os descendentes de Caetano Francisco (21910), pai de António Caetano (4799) nascido em Lapaduços, Vila Verde dos Francos, Alenquer, e avô de Sebastião Caetano (2073), nascido naquela freguesia, casou com Isabel de Jesus (1408), natural de Campelos, onde passaram a viver e foram pais de pelo menos três filhos, um deles o José Caetano (2077) nascido em 1907, casou em Campelos em 1931, e teve pelo menos dois filhos, sobreviveu o António Caetano (5159), cuja descendência mantém vivo o apelido Caetano. 


36 – Marquês
O apelido Marquês, ou Marquez surge na freguesia de Campelos, na localidade de Cabeça Gorda, em dois filhos de Manuel Joaquim (478), irmãos do Paulo Joaquim (1263) já referido no apelido “Paulo”.
O Manuel Joaquim (478) nasceu em 1783 na Amieira do Caldeia, junto à Quinta Bogalheira, Casou em 1810 com Maria Isabel (479), nascida em 1789, no Casalinho (das Oliveiras), os primeiros filhos do casal nasceram na mesma Amieira, e os restantes em Casais do Rijo.
Este Manuel Joaquim já devia ser conhecido por Manuel Joaquim Marquês, e a razão principal deverá ter a ver com o seu local de nascimento, a Amieira do Caldeira, que por pertencer ao Marquês do Alegrete, também era conhecida por Amieira do Marquês, exemplos:
a  a) - Óbito de José, em 27 Julho de 1738, morador na “Quinta da Caldeira do Marquês do Alegrete” (livro óbitos 1 de S. Maria, Torres Vedras, p. 138v)
    b) -  Nos casamentos de Manuel Joaquim (1060) filho do outro Manuel Joaquim (478), em 12/9/1842, e 21/11/1847,  ele está como nascido no Casal do Marquez, S. Maria, Torres Vedras (livro misto 4 de Miragaia, Lourinhã)
Os filhos do Manuel Joaquim (478) e da Maria Isabel (479) que adoptaram o apelido Marquês foram:
a   a) - Joaquim António Marquês (480), nascido em Julho de 1820, nos Casais dio Rijo, casou 3 vezes, uma das quais com Maria Antónia de Reinaldes, Atouguia da Baleia, Peniche, e tiveram 6 filhos em Casais do Rijo e Casal Novo dos Pinheirinhos (Campelos), e segundo o que sabemos nenhum continuou com o apelido Marquês.
    b) - José Joaquim Marquês (490), nascido em Casais do Rijo, em Setembro de 1830, casou pela 1ª vez em 17/11/1858, em Santa Maria, com Carlota do Nascimento, tem 10 filhos, nascidos em Campelos, Cabeça Gorda, e Casal do Areeiro, destes filhos dois mantém o apelido Marquês:
- António Joaquim Marquês (2115), nascido em Campelos, em Junho de 1863, casou em Junho de 1885, em S. Lourenço dos Francos, com Romana da Conceição, Exposta da Roda de Lisboa, tiveram 6 filhos na Cabeça Gorda, dos quais só o Joaquim Marquês (3993), nascido em 1887, casou em 1914 com Maria da Conceição (6006), natural de Cabeça Gorda, tiveram 10 filhos, entre 1915 e e 1933, alguns seguiram o apelido Marquês e um adoptou a “alcunha” Feijão. Como a nossa pesquisa foi só até 1945, não temos muito mais informação.
- Joaquim Marquês (3527), nascido em Junho de 1875, na Cabeça Gorda, faleceu com 23 anos, no Casal do Areeiro.
- a filha do António Joaquim (2115), Amélia da Conceição, nascida na Cabeça Gorda em 1892, casou com José Neto, e pelo menos um dos filhos ficou com o apelido Marquês, nascido no mesmo lugar em 1933, o Francisco.
- outro filho do José Joaquim (2115), o Ângelo Joaquim (1208) nascido em 1860 na Cabeça Gorda, casou em 1885,e em 1898 em S. Lourenço dos Francos com Gertrudes da Piedade, e com Joaquina da Piedade, foi pai de 15 filhos, nenhum adoptou o apelido Marquês, mas alguns dos seus netos voltaram a usar esse apelido, conhecemos os casos de:
         - Gonçalo e Maria, filhos da sua filha Felicidade.
         - Helena e Conceição, do seu filho Estevão.
         - José, Ramiro, Duarte, Álvaro, e Maria da sua filha Beatriz.
         - Augusto, Ângelo, e Joaquim, da sua filha Marcelina.
- o mesmo aconteceu com outro filho, o Francisco Joaquim (3576), nascido em 1877, casou com Gertrudes Delfina, tiveram 10 filhos, mas só netos ficam com o referido apelido, conhecemos o caso da Maria Águeda, filha de Adelaide da Conceição.

É quase certo que haverá mais casos, sobretudo para nascidos depois de 1945, data limite das nossas pesquisas. 

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